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Entrada Turismo e Lazer Roteiros Em dois dias
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Está a pensar visitar a Figueira da Foz?

E está a pensar fazê-lo durante dois dias?

Então convidamo-lo a fazer um Passeio virtual pela Freguesia de São Julião, aguçando-lhe assim o apetite para uma visita real à nossa Freguesia durante esse periodo.

Bom Passeio…

São Julião – A Freguesia em Dois Dias


Quando visitar a Figueira da Foz, convidamo-lo a entrar em São Julião pela Rua Arnaldo Sobral (Artéria de entrada na cidade) dirigindo-se para a Avenida Saraiva de Carvalho onde começaremos o nosso roteiro pela Freguesia.

Praça da EuropaSeguindo ao longo da Avenida Saraiva de Carvalho encontrará, à sua esquerda a Praça da Europa que acompanha a linha da fachada principal do edifício dos Paços do Concelho. O seu peculiar relógio de sol, integra-se num projecto de arquitectura paisagista construído numa área recentemente conquistada ao rio Mondego, na sequência das obras de remodelação do porto comercial. Aproveitando a orientação N-S do aterro, face à foz do rio, e a excelente exposição paisagística e solar, o projecto de construção de um relógio de sol surge, assim, à escala de uma praça pública. Em semicírculo, marca a hora solar, meses e estações do ano, assinalados pelos signos do Zodíaco. Destaca-se, o seu ponteiro em forma de vela de barco, com 10 metros de altura e 2 toneladas de peso, executado nos Estaleiros Navais do Mondego.


Fotografia do Edifício dos Paços do ConcelhosMesmo ali ao lado fica o Edifício dos Paços do Concelho, datado de 1897, projectado pelos arquitectos italianos Cesare Ianz e Giuseppe Fiorentini. Na sua fachada principal, virada para a Av. Saraiva de Carvalho, destaca-se o corpo central coroado por frontão triangular, com tímpano decorado com as armas da cidade. A fachada lateral esquerda é animada por ampla janela com bandeira em hemiciclo, que abrange o piso térreo e o primeiro andar. Com a dignidade e sobriedade própria dos edifícios desta natureza é no Salão Nobre que se revela a sua maior riqueza decorativa.


Continuando o nosso passeio, deslocamos agora o nosso olhar e atenção para a Fonte Luminosa no Largo Dr. Nunes, mesmo ao lado do Edifício dos Paços do Concelho. Uma referência para muitos figueirenses e um cartão colorido de boas-vindas para quem, de noite, chega à Figueira ou refrescante imagem a gravar na memória de quantos, passando o largo Dr. Nunes, se despedem da cidade.


Fotografia da Praça 8 de Maio e Monumento a Manuel Fernandes ThomazVista que está esta emblemática Fonte, convidamo-lo agora a visitar a Praça 8 de Maio e o Monumento de Homenagem a Manuel Fernandes Thomaz, o Patriarca da Liberdade. Chegamos assim ao espaço da antiga “Praia da Reboleira”, uma das três reentrâncias fluviais do Mondego, conquistada ao rio, em 1784, no propósito de dotar a vila de uma praça pública. Após os trabalhos de aterro, conheceu as designações de “Praça Nova da Reboleira”, “Praça Nova da Alegria” e “Praça Nova”, nome pelo qual permanece mais conhecida. Em 1880 recebe a designação de “Praça 8 de Maio” para comemorar a entrada do exército liberal na Figueira da Foz, em 1834. Merece especial destaque o imponente para o monumento, aí erigido, à memória de Manuel Fernandes Thomaz (1771-1822), natural da Figueira da Foz. Dedicado à defesa da causa liberal, o “Patriarca da Liberdade” ou “Regenerador da Pátria”, como também ficou conhecido, liderou fervorosa acção na organização da revolução de 24 de Agosto de 1820, que libertaria o país do jugo estrangeiro, instaurando a liberdade e a independência de Portugal. Dinamizador das Cortes Constituintes, foi o principal redactor da Constituição de 1822. Este belo monumento, em pedra e bronze, sob o qual repousam os seus restos mortais, é da autoria do escultor portuense Fernandes de Sá, e foi inaugurado a 24 de Agosto de 1911.


Fotografia do Pelourinho da Figueira da FozContinuando o seu passeio, convidamo-lo a seguir pela Rua Dr. José Jardim até à Praça General Freire de Andrade onde poderá ver o Pelourinho da Figueira da Foz.
Data de 1782 este belíssimo exemplar de arquitectura civil, pública, símbolo da administração autónoma da justiça, outrora usual nos municípios e bispados. Sobre uma base de 5 degraus quadrados eleva-se um pedestal bojudo e sobre este uma elegante coluna torcida coroada por um capitel compósito habilmente modelado, para destacar as armas nacionais, esculpidas numa das faces em meio de ornatos concheados. A bonita praça em que centralmente se insere é também digna de olhares atentos. Os seus elegantes edifícios, típicos de final e princípio de século, testemunham diariamente o bulício próprio gerado pelo comércio diversificado e tradicional que anima toda a praça. O pelourinho está classificado como monumento nacional desde 1910.


Fotografia do Largo Luís de Camões e Monumento aos Mortos da Grande GuerraUm pouco mais abaixo, seguindo em direcção ao Rio, tem o Largo Luís de Camões e o Monumento aos Mortos da Grande Guerra.
Este largo assenta sobre a antiga “Praia da Ribeira”, a primeira das três praias fluviais, por aterro conquistadas ao rio Mondego em 1784, e transformada em praça pública - a “Praça da Ribeira”. A partir de 1791, e durante mais de um século, passou a denominar-se “Praça do Comércio”, centro nevrálgico da vila onde funcionava o principal mercado de abastecimentos, com cais de alfândega e desembarque de mercadorias. Não obstante a evolução toponímica deste espaço, acabou por prevalecer entre figueirenses, o hábito de a designar por “Praça Velha”. A 9 de Junho de 1880, por ocasião das festas dedicadas a Luís de Camões, a Câmara atribui o nome do egrégio poeta a este largo, ao tempo aparentado, no desenho da sua calçada à portuguesa e restantes componentes urbanísticos, ao do Rossio de Lisboa. No seu centro ergue-se, desde 1928, o monumento de homenagem aos Mortos da Grande Guerra, projectado por António Augusto Gonçalves.


Fotografia da Casa do PaçoE como estamos aqui tão perto, seguimos agora para a nossa direita em direcção ao Largo de Carvão e, logo a seguir, à Casa do Paço no Largo Prof. António Vítor Guerra.
Quem lhe passa defronte não pode deixar de se interrogar sobre a génese e utilização deste imóvel, privilegiadamente localizado em paralelo à doca de recreio, sobressaindo de entre o restante casario, se não pela discrição das formas, pela nobreza simples e altivez das proporções. Durante várias décadas foi sede da Associação Comercial e Industrial da Figueira da Foz. Actualmente é propriedade da autarquia. Abrem-se ao público quatro salas, onde se descobre o que de verdadeiramente notável e único obriga a uma visita: uma importante e curiosa colecção dos chamados “azulejos de Delft”, de inícios do séc. XVIII. 7000 peças avulsas, todas diferentes, revelam, a azul ou a sépia, significativas representações de paisagens campestres e marinhas, cenas bíblicas e de cavaleiros. “O mais vasto e variado repositório de azulejos estrangeiros existentes em Portugal e o mais extraordinário, no seu género, em todo o Mundo” (Santos Simões, 1967).


Fotografia da Doca de RecreioFeita esta visita obrigatória à Casa do Paço, está na hora de dar um passeio pela Doca de Recreio, que fica aqui mesmo à frente na Av. Foz do Mondego.
Destinada ao sector de recreio e para embarcações de serviço, esta simpática marina tem registado desde a sua construção, em 1995, acentuada procura, não só por embarcações de recreio estrangeiras, como por nacionais. Possui uma estação fluvial para carreiras interiores de passageiros e um edifício que lhe serve de recepção. Esta doca regista taxas de ocupação que rondam os 75% na época baixa e os 100% na época alta.


Aproveitando este passeio para continuar a usufruir dos espaços naturais de São Julião, seguimos agora até ao Jardim Municipal, onde os mais pequenos se poderão divertir um pouco nos baloiços enquanto descansa desta caminhada.
Fotografia do Jardim MunicipalEnquadrado entre os edifícios do Tribunal e dos Correios por um lado e o Mercado Municipal por outro, o Jardim Municipal serviu no passado como local de passagem e de ligação entre os dois braços do Passeio Infante D. Henrique. Espaço muito acarinhado pelos figueirenses, acolheu várias gerações que aqui trouxeram as suas crianças a passeio, ao ringue de patinagem ou ao parque infantil, que aqui repousaram, se enamoraram ou entretiveram apreciando o lago dos patos e cisnes ou os espectáculos que animaram o seu coreto. Totalmente rodeado por sebes altas, sombrio e fechado sobre si parecia, nos últimos anos, ter dificuldade em “respirar” e atrair novos visitantes. Em 2005, obras de fundo, tendentes a revitalizar as envelhecidas estruturas do Jardim, projectam-no segundo conceitos de interacção, abertura e diálogo com a cidade. O seu parque infantil, a alternância de refrescantes e relaxantes jogos de água, as artérias comunicantes que abraçam canteiros multicores, os espaços de repouso e de animação, as sombras apetecidas das suas frondosas árvores, chamam novamente à fruição deste espaço de lazer, onde continuam a marcar presença as barraquinhas dos gelados, das aromáticas e irresistíveis pipocas e os indispensáveis quiosques.


Fotografia do Mercado Municipal Engenheiro SilvaRetemperadas energias, está na hora de visitar o sempre obrigatório Mercado Municipal Engenheiro Silva, no Passeio Infante D. Henrique, mesmo ao lado do Jardim Municipal. O colorido das suas bancas, bem abastecidas de frutas e legumes, o eco dos tradicionais pregões das peixeiras apelando à abundância e variedade de peixes e mariscos, as carnes e charcutaria, pão e broa da região, lacticínios e outros produtos regionais, a floricultura e o pequeno comércio (vestuário, calçado e outros artigos), constituem peças de um cenário vivo e renovado a cada dia, testemunho real das riquezas económicas e culturais da região.


Fotografia do Picadeiro e Rua dos CasinosE agora, que tal dar um saltinho ao Picadeiro e Rua dos Casinos para saborear a Gastronomia Figueirense num dos restaurantes desta zona, ou simplesmente beber algo refrescante numa das muitas esplanadas existentes?
Então cá estamos… entrou no coração do Bairro Novo.

Estas duas artérias pedonais caracterizaram-se por serem, no decorrer da primeira metade do séc. XX, as áreas mais cosmopolitas e “chiques” da Figueira. Os seus distintos cafés e esplanadas, os estabelecimentos comerciais, os teatros, os luxuosos casinos e hotéis, habituaram-se a receber uma elite aristocrata e burguesa que vinha a banhos para gozar, aqui, da mesma atmosfera elegante que em Biarritz se respirava. A permanência dos antigos “Café Europa”, “Casino Oceano” ou da “Casa Havanesa”, a par com o modernizado Casino (outrora Peninsular), o café-restaurante “Caravela”, a “Casa Africana” ou a pastelaria “Império”, permanecem pontos de referência para todos quantos residindo ou em visita à cidade rumam ao coração do Bairro Novo. Durante todo o ano, mas com maior intensidade durante os meses de Verão, o cruzamento do Picadeiro (R. Cândido dos Reis) com a Rua dos Casinos (R. Bernardo Lopes) espelha movimento a qualquer hora do dia, sentindo-se o pulsar contagiante da cidade que continua a responder, sempre incansável e muito justamente, por ser também “da claridade”.

 

Fotografia da Esplanada Silva GuimarãesAgora que já almoçou, ou saciou a sua sede, vamos dar um passeio em direcção à Esplanada Silva Guimarães sobranceira à Av. 25 de Abril. Ponto de referência da cidade e local de encontro por excelência, esta esplanada perpetua a memória de António da Silva Guimarães, distinto oficial da marinha mercante e grande empreendedor da empresa de exploração das minas e indústrias do Cabo Mondego. Testemunho da viragem sócio-cultural do último quartel do séc. XIX na Figueira da Foz, o conjunto Castelo Engenheiro Silva, Antigo Edifício do Turismo e Casa das Conchas, marca uma tipologia de arquitectura ecléctica privada, distinta do restante aglomerado urbano. Recentemente reconstruída a sua longa plataforma em semicírculo, virada a poente, oferece uma vista panorâmica deslumbrante e privilegiada sobre a praia e toda a linha de costa, desde a entrada da barra até ao Cabo Mondego.

Fotografia do Forte de Santa CatarinaAqui mesmo ao lado da Esplanada está o imponente Forte de Santa Catarina, local de passagem obrigatória. Esta emblemática fortificação defendeu a entrada do Mondego e fez parte, com o fortim de Palheiros e a fortaleza de Buarcos, do triângulo defensivo da enseada marítima. O início da sua construção remonta a finais do séc. XVI embora só tenha sido concluída posteriormente. A entrada, pela cortina voltada ao norte, dá acesso a um pátio interior onde se situa uma pequena capela, de finais do séc. XVI, dedicada a Santa Catarina. Em 1645 serviu a capela como tribunal da Inquisição. Durante a Guerra Peninsular, aquando da 1ª invasão francesa, foi tomado pelas tropas comandadas por Junot. A 27 de Julho de 1808, o académico Bernardo António Zagalo apoiado por um espontâneo exército de populares da região, armados de lanças e de foices, desenvolve um plano de ataque estratégico que obriga à rendição do invasor. Esta acção facilitou o desembarque, entre 1 e 3 de Agosto, das aliadas tropas inglesas comandadas por Artur Wellesley, mais tarde Duque de Wellington. Tendo perdido a sua função estratégico-defensiva no séc. XIX, e mantendo apenas em funcionamento o seu farolim, como auxílio à navegação e à entrada de embarcações na barra, este forte permanece um dos marcos mais importantes no contar histórico da cidade. É imóvel classificado de Interesse Público.

Fotografia do Coliseu FigueirenseE já que falamos de imóveis de Interesse Público saímos do Forte de Santa Catarina, subindo pela Rua da Liberdade, em direcção ao Coliseu Figueirense no Largo do Coliseu – Alto do Viso. O interesse dos figueirenses pela tauromaquia remonta a um passado longínquo, conhecidas que são as notícias de pequenas corridas de touros que se fizeram primeiramente na “Praça Velha” e, mais tarde, numa pequena praça de touros construída, em madeira, em terrenos da Misericórdia. O gosto pela festa brava levou mais tarde à construção de uma grande e condigna praça, erguida pela Companhia do Coliseu Figueirense, no sítio do Alto do Viso. Inaugurada em 25 de Agosto de 1895, com lotação para 7000 espectadores, continua a animar as tardes e noites dos aficionados portugueses e dos vizinhos espanhóis que, desde há muito, elegem a Figueira da Foz como destino de férias. Este esplêndido e bem conservado edifício prima pelos excelentes espectáculos tauromáquicos e equestres que, desde sempre, vem oferecendo em cartaz, abrilhantados pela presença das mais destacadas figuras do panorama tauromáquico português e espanhol.

Fotografia do Palácio Sotto MayorContinuamos pela Rua da Liberdade em direcção à Rua Joaquim Sotto Mayor para ver o deslumbrante Palácio Sotto Mayor.
Edifício de carácter civil, mandado construir por Joaquim Sotto Mayor, natural do concelho de Valpaços. Emigrado no Brasil, este abastado negociante, de regresso a Portugal, visita a Figueira da Foz e decide aqui construir um palacete onde viveu longas temporadas. Demorando cerca de 20 anos a ser construído, este belo palácio de cinco pisos foi considerado o “mais belo e sumptuoso edifício da Figueira”. Projecto inicial do arquitecto gaulês Gaston Landeck, construído em finais do séc. XIX, ao estilo dos palacetes franceses, em que predominam, na fachada principal, motivos renascentistas. Da visita ao seu interior, não se pode ficar indiferente aos painéis ornamentais, paredes e tectos, da autoria do pintor António Ramalho, às magníficas telas assinadas por Joaquim Lopes, Dórdio Gomes, António Carneiro, sobre o vitral de Bernard Champigneulle iluminando a escadaria nobre, ou às peças de mobiliário e de escultura que decoram as elegantes salas, vestíbulos, corredores e outros aposentos. Na fachada posterior, uma galeria e escadaria estilo Luís XVI dá acesso a um jardim romântico e a uma torre mirante, que segue de perto a tipologia da Torre de Belém. Adquirido, em 1967, pela Sociedade Figueira Praia, o palácio foi convertido numa das mais relevantes unidades museológicas do património local, abrindo as suas portas ao público em 1980.

Fotografia do Casino da FigueiraE agora que estamos no final do dia, convidamo-lo a Jantar num dos muitos restaurantes de São Julião e a passar uma noite agradável no Casino da Figueira, na Rua Bernardo Lopes/ Rua Cândido dos Reis. No espaço do actual Casino ergueu-se, em 1884, o “Theatro-Circo Saraiva de Carvalho” que, no virar do século, seria transformado em espaço de jogo e lazer, com o nome de “Casino Peninsular” – um dos mais importantes pólos de desenvolvimento e atracção do Bairro Novo. Aqui, e durante algumas décadas, todas as ruas pareceram convergir para o seu conhecido “Pátio das Galinhas”, o curioso átrio do Casino, repleto de mesinhas redondas de café e cadeiras de verga, que acolheram a sociedade mais elegante que aí se deliciava, cavaqueando, nas quentes tardes de Verão ao som da orquestra. À longa história deste edifício estão ligados grandes espectáculos de circo, de ópera, de cinema, de teatro, e memoráveis garraiadas infantis levadas a cabo no seu “Salão de Inverno”. Os seus salões, concebidos pelo arquitecto conimbricence Silva Pinto, apesar de remodelados, conservam a estrutura e a exuberante decoração das belas pinturas dos tectos. Com sucessivos melhoramentos e adaptações das suas salas de jogo, salão de espectáculos, restaurante e piano-bar, o Casino actual, de fachada totalmente inovada, continua a ser um dos pólos de animação e atracção turística por excelência.

Fotografia do CAE - Centro de Artes e EspectáculosSe preferir não deixe dar um salto ao Centro de Artes e Espectáculos (Cae), na Rua Abade Pedro – Abadias, e ver um dos espectáculos agendados.
Este moderno equipamento cultural, projecto do arquitecto Luís Marçal Grilo, foi inaugurado em Junho de 2002. Possui um magnífico auditório para grandes espectáculos dos mais diversos domínios artísticos, com capacidade para 800 pessoas, e um pequeno auditório, com 200 lugares, para a realização de congressos, seminários e outros eventos. Para além das suas salas de exposições temporárias, anfiteatro ao ar livre, café, espaços lúdicos e serviços educativos, é ainda varanda privilegiada sobre o repousante Parque das Abadias. A elevada qualidade da sua programação coloca-o na rota das principais referências de difusão cultural do país.

 

E depois de uma noite bem passada nada como ficar bem instalado num dos Hotéis ou Residenciais da nossa Freguesia.

Boa Noite e até amanhã...

... E pronto, agora que já dormiu o suficiente para descansar do primeiro dia de passeio, prepare-se para continuar a descobrir a Freguesia Sede de Concelho da Figueira da Foz. Comece por tomar um bom pequeno-almoço e prepare-se para uma caminhada ao longo da Marginal Oceânica (Av. 25 de Abril).

Fotografia da Marginal OceânicaA marginal oceânica é passeio público dos mais queridos entre os figueirenses. Para quem esteve de passagem, ficou-lhe saudosamente guardada na memória. Para o figueirense, turista ou visitante habitual é destino sempre obrigatório. É de facto um privilégio poder contar com uma tão longa e bonita avenida, com seu largo passeio calcetado, rasgada em paralelo à praia e ao mar. Facilmente encontrará quem, junto à torre do relógio, inicie um agradável passeio que, a pé ou de bicicleta se pode estender ininterrupto até ao Cabo Mondego. Para os amantes da bicicleta, dos patins, dos rollerblades, este trajecto passa a desenrolar-se, a partir do Oásis da Praia para Oeste e, sempre em paralelo à via calcetada, por uma muito convidativa ciclovia. A marginal é, pois, por excelência, espaço para agradáveis passeios de lazer, de manutenção física ou, pela paisagem que oferece, para simples retempero da alma.

Fotografia da Praia da ClaridadeAproveite também, já que está aqui tão perto, e faça uma incursão pela belíssima Praia da Claridade. Para além das largas passadeiras de madeira que dão acesso aos simpáticos cafés de praia e à borda de água, pode igualmente desfrutar de um agradabilíssimo passeio velocipédico sobre a passadeira que, em paralelo ao oceano, divide parte do areal. De Verão ou de Inverno, a praia é convidativa e não dá lugar a atropelos. Que o digam também os utilizadores dos seus campos de jogos (de futebol, ténis, voleibol e basquetebol), os fans da ginástica e aeróbica praticada sobre os seus estrados, que o digam as crianças em diversão no seu parque infantil. Mal começa a época balnear, iniciam a montar-se as fileiras de barracas, com seus toldos de pano riscado, que hão-de conferir a restante individualidade do postal ilustrado que se habituou a ver desta praia.

Ao regressar à Marginal chamamos a sua atenção para a Torre do Relógio.
A construção da Torre do Relógio foi inserida no amplo projecto da regularização da costa norte da foz do Mondego, que criaria a longa e marginal “Avenida Dr. Oliveira Salazar” (actual Av. 25 de Abril), que se estende da esplanada do Forte de Santa Catarina até Buarcos. O projecto de construção desta torre de 20 metros, onde se instalariam os serviços de sinalização marítima, cabinas sonoras e relógio de grandes dimensões, sendo aprovado em 1942 foi, ao tempo, construção polémica considerada por muitos uma agressão à leitura harmoniosa e ampla, que da Esplanada se fazia sobre o areal e linha de costa. Esquecidas as controvérsias, a Torre do Relógio, construção perfeitamente enquadrada na estética do Estado Novo, acabou por se tornar num marco referencial e indissociável do areal e da marginal oceânica que domina.


Fotografia do Parque das AbadiasContinuando o seu passeio aconselhamos agora uma visita ao verdejante Parque das Abadias. Localiza-se a poucos metros da Igreja de S. Julião, sobre o antigo vale das Abadias. Hoje é um dos limites fronteiriços entre a urbe antiga e o Bairro Novo. Poucas serão as cidades que se orgulham de poder desfrutar de um espaço verde, tão amplo e agradável, em pleno centro urbano. O extenso relvado do Parque das Abadias, que corre paralelo à longa avenida Dr. Manuel Gaspar de Lemos, é destino ideal para um relaxante passeio em família, para a prática de desportos diversos, desde o jogging ao basquetebol, aos desportos mais radicais (apoiados por equipamentos e estruturas apropriados). Não raras vezes, este privilegiado palco verde é cenário aprazível para a realização dos mais diversos eventos culturais, recreativos e desportivos.


Durante a sua caminhada por este espaço não podemos deixar de o voltar a convidar a visitar o interior do CAE - Centro de Artes e Espectáculos e ver uma das exposições aí patentes.


Fotografia de Museu, Biblioteca, Arquivo Fotográfico e Auditório MunicipaisE como estamos em onda de arte e cultura, saímos do CAE em direcção ao Edifício do Museu, Biblioteca, Arquivo Fotográfico e Auditório Municipais, aqui mesmo ao lado na Rua Calouste Gulbenkian – Abadias.

Construído sobranceiramente ao Parque das Abadias, este complexo arquitectónico, projectado pelo arquitecto figueirense Isaías Cardoso, reinstala e reúne, desde 1976, importantes serviços culturais do município. O Museu Municipal Santos Rocha, havia sido inaugurado em 1894, para preservar e divulgar o espólio arqueológico recolhido por António dos Santos Rocha, nas suas sucessivas campanhas de investigação. Instalado provisoriamente na Casa do Paço, foi depois transferido para o edifício da Câmara Municipal onde viu enriquecer gradualmente as suas colecções. Em 1976 vê-se finalmente instalado neste edifício vocacionado para o receber. Destacam-se relevantes as suas colecções de arqueologia, escultura religiosa, numismática, etnografia africana e oriental, mobiliário indo-português e armaria em exposição permanente. Para além da programação do seu serviço educativo, duas salas de exposições temporárias abrem-se ao intercâmbio de projectos culturais diversificados. Outras valiosas colecções em reserva (pintura, cerâmica, traje e outras) são apresentadas ao público em exposições temporárias. A Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás que integra também este complexo, havia sido criada em 1910. Conheceu igualmente diversos edifícios até à sua instalação definitiva, no actual espaço, construído com o patrocínio da fundação Calouste Gulbenkian. Ao longo dos anos tem conhecido alterações estruturais e funcionais que lhe permitem dar resposta às exigências da nova sociedade de informação. A enorme riqueza dos seus legados bibliográficos concede-lhe, no entanto, valor acrescido e carácter de excepção no cômputo das demais bibliotecas municipais do país. Motivos, entre outros, que justificam os seus elevados níveis de frequência diária. O Arquivo Fotográfico Municipal, sendo a mais recente das valências culturais aqui sedeadas, conta com um valioso e numeroso espólio fotográfico sobre a cidade e concelho da Figueira. Destaque ainda para o Auditório Municipal com 200 lugares, equipado para receber espectáculos diversos, conferências, palestras e outros eventos.


Fotografia da Igreja Matriz de S. JuliãoVisto que está o Museu Municipal Dr. Santos Rocha, que tanto orgulha os figueirenses, saímos pela Rua Calouste Gulbenkian em direcção à Rua Fernandes Coelho para ir ver a Igreja Matriz de S. Julião, no Largo de S. Julião. Data do séc. XI a primeira referência a um pequeno lugar que foi sendo povoado em torno da igreja de S. Julião da Foz do Mondego. Destruída em 717 por invasores sarracenos, coube, em 1080, ao Abade Pedro, por ordem do Conde D. Sesnando, a tarefa de a reconstruir e incentivar o crescimento do povoado. Restaurado o lugar de S. Julião, também a sua igreja foi sofrendo reedificações e alterações sucessivas, nomeadamente nos sécs. XVIII e XIX, que fizeram desaparecer, infelizmente, todos os vestígios do primitivo templo. Na actual Igreja Matriz de S. Julião, para além dos retábulos de madeira marmoreada do séc. XVIII, do altar-mor e colaterais, destaca-se a elegância do retábulo da capela lateral esquerda, em pedra de Ançã, da 2ª metade do séc. XVI, proveniente do Mosteiro de Seiça. O dia de S. Julião, padroeiro da freguesia, é festejado a 9 de Janeiro.


E estamos quase a terminar o nosso roteiro de dois dias por esta Freguesia. Mas antes de acabar, se estiver a pé volte a subir pela Rua Fernandes Coelho e corte à sua direita na Rua Visconde da Marinha Grande em direcção ao últimos dois pontos Turísticos que o aconselhamos a visitar: o Convento de Santo António – Igreja da Misericórdia, no Largo de Santo António, e Igreja da Ordem Terceira de S. Francisco ali mesmo ao lado.


Fotografia do Convento de Santo António – Igreja da MisericórdiaO Convento de Santo António foi fundado em 1527, por Frei António de Buarcos, com o apoio de D. João III e a benemerência de António Fernandes de Quadros, senhor de Tavarede, que cedeu os terrenos para a construção do edifício e sua cerca. A sua localização e riqueza tornaram-no alvo de cobiça e saques repetidos ao longo dos sécs. XVI e seguintes. Desde a sua edificação, em 1536, conheceu reconstruções e reformas diversas. Da traça manuelina apenas se conserva o arco cruzeiro, apesar de alterado no séc. XIX. A elegante fachada, setecentista, apresenta na sua composição alguns elementos invulgares nas construções de origem mendicante. No interior, destaque para os azulejos do séc. XVII, para o altar-mor e altares laterais, barrocos, em talha dourada. Para além dos quadros da escola portuguesa quinhentista, da capela-mor, podem apreciar-se algumas esculturas de qualidade. Os seus retábulos setecentistas, principal e da nave, pertenceram ao Mosteiro de Seiça. No coro-alto, sobre um sóbrio cadeiral, da mesma centúria, bonitos painéis de pintura retratam a vida de Santo António. Extintas as ordens religiosas, em 1834, a Câmara requereu ao Governo a cedência do Convento e sua cerca, para nesta instalar o cemitério da vila e, naquele, os Paços do Concelho e Hospital. Em 1836, a Santa Misericórdia chama a si a gestão da igreja, parte do hospital e cerca. Em 1904, a Obra da Figueira nasce para aí administrar o Asilo da Infância Desvalida. A partir de 1976, funde-se com a Misericórdia. Na década de 80, o velho Hospital é adaptado a Lar para a terceira idade. Desde então a Misericórdia-Obra da Figueira vem desenvolvendo uma acção de reconhecido alcance social. Pelos Santos Populares, têm cada vez mais alcance e adesão os festejos e arraial a Santo António, realizados no Largo que toma o nome do santo casamenteiro. O edifício do Convento está classificado como imóvel de Interesse Público.


E como o aconselhámos, não deixe de visitar a Igreja da Ordem Terceira de S. Francisco mesmo aqui ao lado. Este templo, contíguo à Igreja da Misericórdia, é uma construção do primeiro quartel do séc. XIX, da autoria do arquitecto milanês Giancarlo Magne. De nave única e linhas neo-clássicas tem sofrido recentes restauros. Possui um bonito silhar de azulejos, azul e branco, executado na fábrica Viúva Lamego, em 1964, com padrão em estilo barroco. No coro-alto, conserva-se o primeiro órgão de tubos que existiu na Figueira. No altar da capela-mor, uma escultura, em madeira, de Nossa Senhora da Conceição, executada por Amálio Maia (1943). As restantes imagens (S. Francisco de Assis, Santo António, Nossa Senhora de Fátima, Senhor dos Aflitos) datam do séc. XIX e de meados de séc. XX. Sazonalmente, é também possível visitar, no piso superior, a Sala das Sessões da Comunidade Franciscana Secular (primitiva “Casa do Capítulo”), onde se reúnem o cartório da Ordem Terceira e interessantes painéis de temática religiosa. Referência ainda a um pequeno núcleo de arte sacra, inicialmente denominada “Casa dos Santos” com a exposição permanente de várias imagens da Procissão das Cinzas (séc. XIX).


Feito este Roteiro, esperamos que tenha gostado destes dois dias passados em passeio pela Freguesia de São Julião.

Volte Sempre.

Convidamo-lo a ver o mapa deste roteiro onde poderá ver os Locais Visitados.

 

São Julião em Dois Dias


Este texto utiliza extractos do livro “Figueira da Foz: Rotas do Concelho”, da Autoria de Isabel Henriques. Organ. Divisão de Cultura, Museu, Biblioteca e Arquivos da Câmara Municipal da Figueira da Foz, ed. Figueira Grande Turismo, 2005, pp 15-31.

 
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